quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Prós e Contras na castração de cães

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A castração é um assunto que está em alta nos dias de hoje. Veículos de mídia e médicos-veterinários, quase sem exceção, recomendam essa cirurgia sem reservas, listando uma infinidade de vantagens. Por trás dessa campanha em massa há uma justificativa real: a superpopulação de cães e gatos sem donos. Não devemos fechar os olhos para essa realidade. Milhares de cães e gatos abandonados, famintos e doentes perambulam pelas ruas, frutos de acasalamentos indiscriminados. A grande maioria desses animais não consegue ser adotada e acaba à própria sorte, ou é eutanasiada (“sacrificada”).
Entretanto, partindo do princípio de que você será um dono consciente, que jamais abandonará seu cão e que não promoverá acasalamentos irresponsáveis, a decisão de castrar ou não o seu cão depende também de outros fatores. É preciso entender que a castração, apesar de muito rotineira, é um procedimento cirúrgico definitivo, que implica na retirada de órgãos – os testículos do macho; o útero e os ovários da fêmea. Como tudo na vida, a castração tem dois lado: o positivo e o negativo. Por isso, em vez de recomendar o genérico “castre, logo!”, preferimos que você mesmo pese os prós e os contras e decida se a castração é a melhor opção para o caso individual do seu cão.


 
Prós da castração de cadelas

    Se feita em qualquer idade, a castração evita terminantemente a ocorrência da piometra, infecção
uterina que acomete uma grande porcentagem de cadelas. A piometra costuma acontecer depois de alguns
cios e, se não for diagnosticada a tempo, pode levar a fêmea à morte.
    Se feita após o 1º cio a castração evita em mais de 90% o aparecimento de tumores mamários
(extremamente comuns em cadelas). Entretanto, se realizada até os 2.5 anos de idade ainda traz grandes
benefícios em relação a redução de incidência desses tumores.
    Se feita em qualquer idade, a castração evita terminantemente o aparecimento de tumores uterinos e
ovarianos (pouco comuns em cadelas).
    Evita acasalamentos indesejáveis em qualquer dos casos abaixo:
    a-) Você tem macho e fêmea em casa
    b-) Você possui cães sem pedigree
    c-) Seus cães apresentam parentesco entre si;
    d-) Seus cães apresentam desvios do padrão da raça ou doença de herança genética;
    f-) Você não quer ou não tem condições de cuidar de uma cadela gestante e dos filhotes até que todos
sejam vendidos ou doados.
    g-) Sua cadela teve eclâmpsia na última gestação (ela provavelmente a terá na próxima vez)
    Evita a presença de cães machos no seu portão, uma vez que não mais haverá o odor de fêmea no cio.
    Evita terminantemente que a cadela atleta (praticante de agility, flyball, etc) ou que acompanha
frequentemente o dono em viagens, deixe de desempenhar essas atividades em função de estar no cio.
    Evita terminantemente o incômodo do cio das fêmeas. Se você se incomoda com o sangramento e as
alterações de comportamento de fêmeas no cio a castração é uma excelente opção para esse caso. Fêmeas de Golden frequentemente apresentam bastante sangamento e cios longos, algumas vezes com mais de um mês de duração.
    Elimina a queda de pêlos ocasionada pelo cio e reduz a troca de pelagem sazonal.
    Reduz o risco de fístulas (feridas) perianais (próximos do ânus).
    Evita a pseudociese (gravidez psicológica), condição ligada aos hormônios sexuais.

Contras da castração de cadelas

    Aumenta a predisposição à obesidade. Se optar pela castração, assegure-se de oferecer bastante
atividade física e alimentação com teor calórico moderado para evitar a obesidade e suas complicações.
    Algumas cadelas se tornam um pouco irritadiças com outros cães.
    Algumas cadelas se tornam menos ativas.
    Em algumas raças, a castração altera a textura da pelagem, favorecendo o re-aparecimento do lanugo
(pêlo de filhote).
    Se realizada antes do 1º cio, a castração pode predispor a episódios repetidos de cistite (inflamação da bexiga / infecção urinária) e vulvo-vaginite.
    Se realizada antes do 1º cio, a castração altera a aparência da cadela quando adulta, podendo
torná-la mais alta, com menor massa muscular, e com crânio e peito mais estreitos.
    Cadelas atletas castradas podem apresentar redução do desempenho atlético, em função de maior
fragilidade dos ligamentos e menor tônus e massa muscular.
    A castração pode deixar algumas cadelas com incontinência urinária. Esse quadro é ainda mais comum
nas fêmeas castradas muito precocemente.
    Uma cirurgia de castração realizada com pressa ou por um cirurgião inexperiente pode resultar em
danos renais.
    Uma cirurgia de castração realizada com anestésico de segurança questionável (em geral, em cirurgias
muito baratas) pode lesionar o fígado.
    Se realizada antes de um ano de idade, aumenta o risco de osteossarcoma (câncer ósseo).
    Aumenta os riscos de hipotireoidismo (uma disfunção da glândula tireóide).
    Aumenta os riscos de câncer cardíaco.
    É pouco eficiente como medida para tornar uma cadela hiperativa mais calma.
    É pouco eficiente como medida para tornar uma cadela agressiva mais mansa.

Prós da castração de machos

    Elimina completamente o risco de câncer testicular.
    Reduz o risco de doenças prostáticas não-cancerígenas.
    Reduz o risco de aparecerem fístulas (feridas) perianais (na região próxima ao ânus).
    Pode reduzir o risco de diabetes.
    Se feita precocemente, pode evitar que se torne agressivo com outros machos.
    Se feita precocemente, pode evitar que apresente comportamento sexual indesejável, como montar em
pernas, montar em almofadas, etc.
    Se feita precocemente, pode evitar a demarcação de território com urina.
    Se feita precocemente, pode evitar fugas motivadas pelo desejo de acasalar.
    Se feita precocemente, evita que cães de trabalho sejam distraídos por odores e outros estímulos
produzidos por cadelas no cio.
    Cães atletas castrados podem apresentar redução do desempenho atlético, em função de maior
fragilidade dos ligamentos e menor tônus muscular.
    Pode reduzir o volume de queda das trocas de pelo sazonais.
    Evita acasalamentos indesejáveis em qualquer dos casos abaixo:
    a-) Você tem macho e fêmea em casa
    b-) Você possui cães sem pedigree
    c-) Seus cães apresentam parentesco entre si;
    d-) Seus cães apresentam desvios do padrão da raça ou doença de herança genética;
    f-) Você não quer ou não tem condições de cuidar de uma cadela gestante e dos filhotes até que todos
sejam vendidos ou doados.

Contras da castração de machos

    Se feita antes de um ano de idade, aumenta o risco de desenvolvimento de osteossarcoma (câncer
ósseo).
    Aumenta o risco de hipotireoidismo (uma disfunção da tireóide).
    Aumenta o risco de câncer cardíaco.
    Aumenta o risco de obesidade.
    Se realizada antes da maturidade física se completar, a castração altera a aparência adulta, podendo
deixar o macho com aspecto menos masculino e um pouco mais alto e estreito em comparação aos machos
não-castrados da mesma raça e idade.
    Uma cirurgia de castração realizada com anestésico de segurança questionável (em geral, em cirurgias
muito baratas) pode lesionar o fígado.
    Cães atletas castrados podem apresentar redução do desempenho atlético, em função de maior
fragilidade dos ligamentos e menor tônus muscular.
    É questionável como medida para tornar um cão hiperativo mais calmo.
    É questionável como medida para tornar um cão agressivo mais manso.

Considerações importantes

Como você deve ter notado, novos dados da literatura científica estão indicando que a castração seja
preferencialmente realizada após o primeiro cio da cadela (ou até os 2,5 anos de idade), e nos machos,
após o completo desenvolvimento físico (por volta de 1,5 ano a 2 anos, para cães de grande porte). Essas
orientações buscam minimizar os impactos negativos da falta de hormônios sexuais na saúde geral do
animal, bem como na sua aparência física.

Entretanto, se você busca benefícios comportamentais, como evitar que seu cão monte em pernas, ou
estranhe outros machos, ou que sua fêmea de trabalho ou de esporte não perca dias de atividade em função
do cio, a castração precoce (antes da puberdade, por volta dos 6 meses), é mais indicada. Cães que são
castrados pré-púberes costumam apresentar comportamento assexuado que agrada a muitos perfis de
proprietários, ainda que estejam predispostos a maiores riscos de saúde.

Não banalize a cirurgia. Independentemente da idade do cão, procure um bom médico-veterinário, com
experiência em cirurgia, para realizar a castração. Apesar de ser um procedimento rotineiro, a castração
– em especial a de fêmeas – exige conhecimento e técnica.

Uma cirurgia de castração bem feita certamente custa mais do que uma realizada em mutirões. Mas vale a
pena: o veterinário certamente pedirá exames pré-cirúrgicos (hemograma, eletrocardiograma), realizará a
cirurgia com calma, atento a alterações em outros órgãos, usará um anestésico mais seguro e o orientará
sobre o pós-cirúrgico. Além disso, em cirurgias conduzidas por um cirurgião e um anestesiologista, o
protocolo anestésico costuma ser mais eficiente (realmente indolor, e não meramente imobilizador) e
seguro.

E, finalmente, você também pode optar por manter seu cão ou cadela “inteiro(a)”, ou seja, sem
submetê-lo(a) à cirurgia de castração. No caso das cadelas, muito mais do que nos machos, é importante
ficar sempre atento a alterações como presença de caroços nas mamas, corrimento vaginal purulento – ou
qualquer corrimento fora do período de cio - apatia, etc. Se suspeitar de alguma coisa, já sabe: leve o
cão ao médico-veterinário.
Se pretende acasalar seu cão ou cadela, procure seguir as orientações abaixo:
Não acasale seu macho antes que ele complete 2 anos de idade. O ideal é fazê-lo depois que ele
completar o desenvolvimento físico. Acasalar muito cedo pode causar fratura do osso peniano (sim, existe
um osso dentro do pênis dos cães). E você só pode fazer o exame definitivo para detecção da displasia
coxo-femoral a partir dos 24 meses de idade dele. Obs: essa orientação procede somente para as raças nas
quais o controle da displasia coxofemoral é importante (ex: Golden Retriever, Pastor Alemão, Border
Collie, Bulldog, Rottweiler, etc)

Não acasale sua fêmea antes do terceiro cio. O ideal é acasalar somente depois dos dois anos de
idade dela, quando ela está mais madura física e psicologicamente. E você só pode fazer o exame
definitivo para detecção da displasia coxo-femoral a partir dos 24 meses de idade dela. Obs: essa
orientação procede somente para as raças nas quais o controle da displasia coxofemoral é importante (ex:
Golden Retriever, Pastor Alemão, Border Collie, Bulldog, Rottweiler, etc)

Não acasale seu cão macho ou fêmea se ele, aos 2 anos de idade, for considerado displásico
(principalmente grau D ou E de displasia coxo-femoral, mas também o grau C). Esse exame radiológico deve ser feito e analisado por médicos-veterinários com experiência em radiologia e ortopedia.
   
Não acasale seu cão macho ou fêmea com cães sem pedigree emitido pela Confederação Brasileira de
Cinofilia. O pedigree é um documento que atesta a origem e a genealogia do cão de raça.
    
Procure o criador que lhe vendeu seu macho ou sua fêmea para que ele ou ela te oriente sobre o
acasalamento, qual macho ou fêmea escolher para a cruza, como proceder, como cuidar da gestante, como
cuidar dos filhotes, registrá-los e etc. Isso é muito importante para garantir que o acasalamento
resulte em uma ninhada que contribua com a raça.
   
Considere o fato de que há milhares de cães sem lar, disponíveis para adoção. Cada pet comprado pode
representar um que deixou de ser adotado. Pense nisso com muito carinho antes de colocar mais cães no
mundo.
    

Referências:


http://healthypets.mercola.com/sites/healthypets/archive/2011/02/17/dangers-of-early-pet-spaying-or-neut
ering.aspx
http://www.caninesports.com/SpayNeuter.html
http://www.naiaonline.org/pdfs/LongTermHealthEffectsOfSpayNeuterInDogs.pdf
http://www.doglistener.co.uk/neutering/neutering_definitive.shtml

http://www.gpmcf.org/respectovaries.html
www.cachorroverde.com.br
http://avmajournals.avma.org/doi/abs/10.2460
http://www.acc-d.org/2006%20Symposium%20Docs/Session%20I.pdf
http://www.theriogenology.org/displaycommon.cfm?an=1&subarticlenbr=59

http://www.veterinarypracticenews.com/vet-practice-news-columns

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